terça-feira, 1 de maio de 2012

IGREJA - INFORMAÇÃO VERSUS CAMPANHA





Carlos Alberto di Franco

A imprensa brasileira tem noticiado a respeito da crise que fustiga a Igreja Católica com razoável serenidade e equilíbrio. Os casos de abuso sexual protagonizados por clérigos são, de fato, matéria jornalística inescapável. O que me impressiona, e muito, é a perda do sentido informativo e o inequívoco tom de campanha assumido por alguns jornais norte-americanos.
Infelizmente, os casos reais de abuso sexual, ocorridos nas últimas décadas, mesmo que tenham sido menos numerosos do que fazem supor certas reportagens, são inescusáveis. Nada pode justificar nem atenuar crimes abomináveis como o estupro e a pedofilia. Um só caso de pedofilia, praticado na Igreja Católica por um padre, um religioso ou uma religiosa, é sempre demais, é inqualificável.
Mas jornalismo não pode ser campanha. Devemos, sem engajamentos ou editorialização da notícia, trabalhar com fatos. Só isso nos engrandece. Só isso dá ao nosso ofício credibilidade e prestígio social. Pois bem, amigo leitor, vamos aos fatos.
O Vaticano recebeu 3 mil denúncias de abuso sexual praticado por sacerdotes nos últimos 50 anos. Segundo monsenhor Scicluna, chefe da comissão da Santa Sé para apuração dos delitos, 60% dos casos estão relacionados com práticas homossexuais, 30% com relações heterossexuais e 10% dos casos podem ser enquadrados como crimes de pedofilia. Os números reais de casos de pedofilia na Igreja são, portanto, muito menores.
Os abusos têm sido marcadamente de caráter homossexual e refletem um grave problema de idoneidade para o exercício do sacerdócio. Afinal, uma instituição que há séculos defende o celibato sacerdotal tem o direito de estabelecer os seus critérios de idoneidade, o seu manual de instruções para a seleção de candidatos. Quem entra sabe a que veio. É tudo muito transparente. Quem assume o compromisso o faz livremente. O que não dá, por óbvio, é para ficar com um pé em cada canoa. E foi exatamente isso o que aconteceu. A Igreja está enfrentando as consequências de anos e anos de descuido, covardia e negligência dos bispos na seleção e formação do clero.
Philip Jenkins, um especialista não católico de grande prestígio, publicou o estudo mais sério sobre a crise. Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis (Oxford, 214 págs.) é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos Estados Unidos durante a década de 1990. Segundo Jenkins, mais de 90% dos padres católicos envolvidos com abusos sexuais são homossexuais. O problema, portanto, não foi ocasionado pelo celibato, mas por notável tolerância com o homossexualismo, sobretudo nos seminários dos anos 70, quando foram ordenados os predadores sexuais que sacudiram a credibilidade da Igreja.
O autor não nega o óbvio: que existiram graves desvios; e, mais, que os bispos fracassaram no combate aos delitos. Jenkins, no entanto, mostra como os crimes foram amplificados com o objetivo de desacreditar a Igreja. A análise isenta dos números confirma essa percepção. Na Alemanha, por exemplo, existiram, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos. Dessas 210 mil, 300 estavam ligadas a padres católicos, menos de 0,2%. Por que só as 300 denúncias contra a Igreja repercutem? E as outras 209 mil denúncias? Trata-se, sem dúvida, de um escândalo seletivo.
As interpretações e as manchetes, em tom de campanha, não batem com o rigor dos fatos. Vamos a um exemplo local. Reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, de 18/5/2009, página C4, abria com o seguinte título: Triplica o número de vítimas de abuso atendidas nas zonas sul e leste. E acrescentava ao título: Desde outubro, a média de novos casos passou de dez por mês para um por dia. Mesmo que o estudo se cinja às zonas leste e sul da cidade de São Paulo, por somarem milhões de habitantes, não deixa de ser uma amostra muito expressiva.
Trata-se de uma pesquisa realizada por várias ONGs de provada seriedade. Aponta como "novidade desconcertante" o fato de que "pais biológicos são a maioria entre agressores e, agora, avós também começam a aparecer neste grupo". No elenco da Rede Criança de Combate à Violência Doméstica, todos ou a quase totalidade dos agressores sexuais são casados. Por que então o empenho em fazer crer que os principais protagonistas de abusos sexuais são padres, e em atribuir a causa dos crimes ao seu compromisso celibatário?
Tentou-se, recentemente, atingir o próprio papa. Como lembrou John Allen, conhecido vaticanista e autor do livro The Rise of Benedict XVI, em recente artigo no The New York Times, o papa fez da punição aos casos de abuso uma prioridade de seu pontificado. "Um de seus primeiros atos foi submeter à disciplina dois clérigos importantes contra os quais pesavam denúncias de abuso sexual há décadas, mas que tinham sido protegidos em níveis bastante altos. Ele também foi o primeiro papa da história que tratou abertamente da crise." Bento XVI tem sido, de fato, firme e contundente.
Em recente carta ao Corriere della Sera, o senador italiano Marcello Pera, um laico no mais genuíno sentido italiano da palavra, assumiu a defesa do papa e foi ao cerne da polêmica. "Desencadeou-se uma guerra. Não propriamente contra a pessoa do papa, pois seria inviável. Bento XVI tornou-se invulnerável por sua imagem, sua serenidade, sua clareza e firmeza." A guerra continuará, "entre outras razões, porque um papa como Bento XVI, que sorri, mas não retrocede um milímetro, alimenta o embate".
Precisamos informar com o rigor dos fatos. Mas devemos, sobretudo, entender o que se esconde por trás de algumas manchetes e de certas interpretações.

DOUTOR EM COMUNICAÇÃO PELA UNIVERSIDADE DE NAVARRA, PROFESSOR DE ÉTICA, É DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO (WWW.MASTEREMJORNALISMO.ORG.BR) E DA DI FRANCO - CONSULTORIA EM ESTRATÉGIA DE MÍDIA (WWW.CONSULTORADIFRANCO.COM) E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR 
Fonte: O Estado de São Paulo, Opinião, 5 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

"GAUDE ET LAETARE, VIRGO MARIA, ALLELUIA, QUIA SURREXIT DOMINUS VERE, ALLELUIA”





           
Padre Rui Rosas da Silva


Nunca deixou Cristo de cumprir qualquer promessa que tenha feito. A sua Ressurreição foi uma delas. Mas de todas talvez a que menos entenderam os apóstolos. Tinham visto Cristo fazer várias ressurreições. A última, do seu amigo Lázaro, que morrera há dias e o seu cadáver se encontrava já em putrefacção. No entanto, uma coisa é ter poder para ressuscitar um morto, outra, muito diferente, é ressuscitar-se a si mesmo, depois de se ter morrido.


Os apóstolos estavam completamente descrentes desta possibilidade, reveladora de um poder insuspeitado por parte de quem a conseguisse realizar. Cristo, cuidadosamente, repetiu-lhes várias vezes que assim iria suceder. Parecia-lhes uma hipótese de tal modo inviável que não Lhe deram ouvidos, ou melhor, não O entenderam, não pensaram nessa hipótese, passando-lhes ao lado a promessa do Mestre.


Acresce ainda que Jesus, para ressuscitar, teve primeiro de morrer ignominiosamente no Calvário, contado entre malfeitores, desacreditado, quanto à sua fama, ao seu poder e à sua honra. Morrer numa cruz não era uma prova evidente de que o Galileu, que tanta gente atraiu para Si, não passava de um embusteiro? Ou seriam os chefes religiosos dos judeus tão maldosos e incompetentes que pedissem a condenação à morte mais vergonhosa daqueles tempos para Cristo?

Decerto que tudo isto poderia ter passado pela cabeça dos apóstolos. Mas mais os feria ainda outro facto, que não eram capazes de perceber: Jesus, que sempre saíra vitorioso dos embates com os chefes judeus, encontrava-se ali numa cruz, cheio de feridas e de ultrajes. Não reagira a nenhuma destas contrariedades. Pelo contrário, sempre Se manteve em silêncio, não protestando e deixando que os seus condenadores agissem da forma que melhor lhes aprouve.

Não seria que toda a sua força e dinâmica realizadora de tantos milagres espantosos se finara? E o que dizer da sua simples e incisiva capacidade oral de desfazer os argumentos contrários com que O atacavam, a não ser que se sumira no abismo da sua dor e da sua incapacidade.




Na Cruz, Cristo aparecia como um derrotado total, sem possibilidade de reacção.Quando a morte O tocou, o que haveriam de concluir aqueles galileus que O seguiram de tão perto, tudo largando e tudo deixando para andar com Ele? Ao fim e ao cabo, o que observavam era a linguagem do falhanço completo, tal como Ele lhes dissera várias vezes: o Filho do Homem "será entregue aos gentios, será escarnecido, ultrajado, cuspido; e depois de O flagelarem, O matarão… (Lc 18, 32-33).

Por isso, dois discípulos de Jesus, que se encaminhavam, desalentados, para a sua terra de Emaús, estavam cabisbaixos, remoendo o desalento brutal que atacava a alma como uma seta dolorosa. E, pior ainda, um dos doze apóstolos, Tomé, não foi capaz de acreditar numa aparição do Senhor já ressuscitado aos companheiros. A sua opinião sobre a impossibilidade da ressurreição é determinada e seca: "Se não vir nas suas mãos a abertura dos cravos, se não meter a minha mão no seu lado, não acreditarei" (Jo 20, 25).

Toda esta falta de fé nas palavras de Cristo seria mais desculpável se Ele nada tivesse dito sobre a sua ressurreição. Mas afirmou-a de forma clara, tão meridiana como a sua previsão da morte. Voltando ao texto de Lucas citado, ele termina assim: "… e ao terceiro dia, ressuscitará".

A verdade que Jesus ensina é tão perfeita como a perfeição de Deus, que Ele é. Não nos engana nem nos quer enganar. Sempre diz a verdade e tudo o que diz cumpre-se, porque a sua vontade tem a omnipotência de Quem é omnipotente. A Ressurreição é, por esta razão, um facto indesmentível. Compete-nos aceitá-La, porque para Deus nada é impossível. E alegremo-nos com o nosso Deus que tem tal poder e o derrama com serena providência sobre toda a humanidade de todos os tempos.

A devoção a Maria pode transformar-se numa verdadeira escola de aprendizagem da nossa confiança em Deus, porque ela nunca pôs em causa a Ressurreição do seu Filho. Peçamos-lhe a Fé, que sempre precisamos, para ver a realidade com olhos sobrenaturais.

(Pe. Rui Rosas da Silva – Prior da Paróquia de Nossa Senhora da Porta Céu em Lisboa in Boletim Paroquial de Abril de 2009, selecção do título da responsabilidade do autor do blogue)

Publicada por Spe Deus   em Domingo, Abril 08, 2012

STF PODE AMPLIAR CASOS DE ABORTO. DIANTE DA AMEAÇA BISPOS DEFENDEM A VIDA




Contra permissão para aborto de bebês com anencefalia, tanto o cardeal Dom Odilo Scherer quantos alguns bispos do Brasil estão se manifestando publicamente por meio dos veículos católicos, especialmente, como ACI Digital.

Cardeal Dom Odilo Scherer:“É preconceituoso e fora de propósito afirmar que a dignidade da mãe é aviltada pela geração de um filho com anomalia; tal argumentação pode suscitar, ou aprofundar um preconceito cultural contra mulheres que geram um filho com alguma anomalia ou deficiência; isso sim, seria uma verdadeira agressão à dignidade da mulher.”

Dom Orani João Tempesta:“Eu faço um apelo aos senhores Ministros do STF para que possam refletir sobre esta enorme responsabilidade que têm, primeiramente em defender a própria Constituição Brasileira, que valoriza a vida em todas as circunstâncias; depois, sua responsabilidade em relação à História, pois todos seremos julgados sobre as decisões que tomamos.”

Dom Alberto Taveira:“Nossa convicção é muito clara e muito forte de que não há qualquer argumento que justifique o aborto diretamente provocado. Nossa manifestação é diametralmente contrária porque nos baseamos no Mandamento da Lei de Deus e numa clareza do Magistério da Igreja em toda sua História.”

Dom Fernando Arêas Rifan:“Pela porta do povo não se consegue porque a esmagadora maioria do povo é contra a legalização do aborto; pelo executivo não haverá essa tentativa; pelo legislativo ainda não se conseguiu, então, tenta-se agora o Judiciário. É uma porta pela qual vão tentar entrar.”

Dom José Antonio Peruzzo:“Pedimos aos senhores Juízes do Supremo Tribunal Federal que a vida não seja desrespeitada e que nessa Casa o primeiro direito de todos, que é o direito de viver, seja contemplado e apreciado. Que Deus os ilumine senhores Juízes do STF”.

Dom Dimas Lara Barbosa:“No caso específico dos anencefálicos, primeiramente é preciso que se diga que a própria terminologia é inadequada. Não é verdade que a criança não tenha cérebro, pois se assim o fosse ela seria natimorta. O que acontece são graus diferenciados de má-formação em partes do cérebro que, sim, vão dificultar e muito uma vida normal dessas crianças mas que, de forma alguma, permitem que elas sejam qualificadas como “cadáveres”, como “seres inanimados”. 

Dom Antônio Augusto Dias Duartes:“Diante da questão ponderada pelos ministros do STF a respeito das crianças que estão se desenvolvendo no útero materno com mal-formação denominada anencefalia, eu, como bispo auxiliar do RJ e também como médico, compreendo perfeitamente todas as circunstâncias que envolvem esta gravidez. Porém, por cima de todas elas, existe uma realidade que é intocável: em primeiro lugar, a dignidade da maternidade feminina, que dá à nossa sociedade a certeza de que qualquer ser humano, independentemente de suas circunstâncias de saúde ou circunstâncias sociais é amado desde o útero materno.”

Dom Airton José dos Santos:“Aos Ministros do STF e a todo o povo do Brasil, nós defendemos o direito à vida de todas as pessoas. Acreditamos naquilo que deve ser feito por aqueles que têm autoridade no País, neste caso, os juízes do STF: a vida humana não se restringe aos anos que vivemos nem ao tipo de vida que levamos. A vida humana é vida humana, independentemente de qualquer condição. Nós devemos protegê-la, favorecê-la e dar-lhe condições para que seja valorizada e respeitada. Não importa se ela há de durar um minuto ou cem anos”. 

Dom Jacyr Francisco Braido:“Este apelo eu quero dirigir aos Ministros do Supremo Tribunal Federal para que repensem este assunto. Dirijo-me também a todos os cidadãos brasileiros para que se manifestem em favor da vida, acima de tudo. Temos que tomar muito cuidado com certos passos que vamos dando de forma inconsequente e que levam, ao final, a comprometer a existência humana e a disponibilidade das mulheres em gerar novos filhos para a sociedade contemporânea.”

Dom Henrique Soares:“É como filho da humanidade, como filho da pátria brasileira e como bispo da Igreja que eu peço a atenção dos senhores Ministros e peço ao povo brasileiro que não baixe jamais a guarda na discussão dessas questões. E que grite em defesa dos grandes valores humanos que forjaram e que norteiam nossa sociedade, nossa cultura”. 

Obs: o título é de nosso blog. Texto inicial de Wagner Moura.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

CARMELO DE PORTO ALEGRE "INCOMODA"



A SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DE PORTO ALEGRE E A SINOFOBIA


Valter de Oliveira

Thomas Giuliano, da Associação Católica Pio XII, enviou-nos uma notícia que mostra até onde chega a intolerância de laicistas contra a Igreja. Concretamente, trata-se de perseguição às religiosas carmelitas da capital gaúcha.

O Carmelo de Porto Alegre, diz-nos Thomas, se localiza em um dos bairros mais agitados de Porto Alegre. Seu nome é Cidade Baixa. É um dos lugares boêmios da cidade. Nele são corriqueiros “roubos, assassinatos, brigas, prostituição, e, música durante os dias e madrugadas. O Carmelo faz fronteira com uma das Avenidas mais movimentadas de nossa cidade, avenida chamada de Loureiro da Silva, nessa avenida circula um número muito grande de carros, que trafegam nos sentidos norte e sul e que provoca muito barulho e confusão”.

Ocorre que, diz ainda Thomas, no mês de setembro um vizinho do Carmelo, incomodado com o barulho do sino, entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente da cidade de Porto Alegre, solicitando a exclusão de TODOS os toques dos sinos que as irmãs tocam nos horários correspondentes ao Ângelus e de anúncio da Santa Missa, a saber: 06:00, 06:45 (Horário da Missa), 12:00 e 18:00 horas.

As irmãs foram intimadas a parar de tocar os sinos mas, como são corajosas, continuaram a tocar todos, menos os das 06:00. Os incomodados entraram com um novo pedido, solicitando a exclusão de todos os toques dos sinos. Resultado: nessa semana ocorreu nova visita da Secretária de Meio Ambiente solicitando a medição do sino e anunciando que entrariam com novas medidas legais para proibirem essa o uso dos sinos. Alegação: abuso da liberdade religiosa e falta de relação de boa vizinhança, entre outras.

Termina o amigo Thomas informando que Madre Susana da Santíssima Trindade solicitou que os católicos que estão informados do assunto unam-se às irmãs, na oração do Angelus, pedindo ao bom Deus que a perseguição cesse e possam manter o piedoso hábito de tocar o sino que convida os fiéis a louvar a Virgem Maria.

Rezemos também pelos vizinhos sinófobos. E pelos responsáveis pela Secretaria. Talvez não tão zelosos em coibir os verdadeiros abusos do bairro...

Finalmente Thomas pede que expressemos nossos protestos à Secretaria do Meio Ambiente de Porto Alegre.